Macdonald | Phantastes | E-Book | www.sack.de
E-Book

E-Book, Portuguese, 292 Seiten

Macdonald Phantastes

A Terra Das Fadas
1. Auflage 2017
ISBN: 978-85-8218-243-7
Verlag: Editora Oxigênio
Format: EPUB
Kopierschutz: Adobe DRM (»Systemvoraussetzungen)

A Terra Das Fadas

E-Book, Portuguese, 292 Seiten

ISBN: 978-85-8218-243-7
Verlag: Editora Oxigênio
Format: EPUB
Kopierschutz: Adobe DRM (»Systemvoraussetzungen)



'Todo livro tem uma história, mas Phantastes foi além da ficção.Phantastes apresenta a jornada de Anodos, um rapaz comum que está explorando seu castelo recém-herdado quando, uma fada imponente aparece para ele prometendo-lhe que no dia seguinte ele iria encontrar o caminho para o Reino das Fadas. Anodos então embarca em uma aventura cheia de mistério e fantasia em um mundo repleto de seres misteriosos.Esse livro, assim como toda obra de MacDonald, apresenta temas como a fé, honra, coragem, caráter e bondade.Phantastes foi a maior influência para C.S. Lewis, servindo como inspiração para que ele escrevesse ''As Crônicas de Nárnia''. Lewis fala sobre o episódio que marcou sua vida, o dia em que leu o livro pela primeira vez:''Virando-me para a banca de livros da estação de Leatherhead, escolhi um livro de capa empoeirada: Phantastes - A Terra das Fadas, de George MacDonald. Na mesma noite comecei a ler o livro. As jornadas nas matas, os inimigos fantasmagóricos, as damas boas e más da narrativa lembravam bastante as minhas fantasias costumeiras, e assim me puderam seduzir sem que eu percebesse uma mudança. É como se fora carregado inconscientemente para além da fronteira, ou como se tivesse morrido no velho país e não pudesse me lembrar de como ressuscitei de novo. Eu não sabia ainda o nome da nova qualidade, a sombra brilhante, que pairava nas viagens de Anodos. Eu não tinha a menor noção daquilo que me envolvera ao comprar Phantastes.'''

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Capítulo 03

“Os homens usurpam todo o espaço, Olham-te, na rocha, mato, rio, no rosto. Nunca antes teus olhos viram uma árvore; Não és um mar que tu vês no mar, És uma humanidade disfarçada. Para evitar teu companheiro, inútil teu plano; Tudo que interessa a um homem, é o homem.” – Henry Sutton
As árvores que estavam bem dispersas quando entrei, dando passagem para vários raios de sol, fecharam-se rapidamente conforme eu avançava, de forma que seus muitos galhos baniam a luz solar, como se fossem um grosso xadrez entre mim e o Leste. Eu parecia estar avançando em direção a uma segunda meia-noite. No meio do crepúsculo forçado, porém, antes de eu adentrar no que parecia ser a parte mais escura da floresta, vi uma camponesa vindo em minha direção lá das profundezas. Ela não parecia ter me visto, pois ela estava aparentemente atenta a um monte de flores silvestres que carregava em sua mão.  Eu mal podia ver seu rosto; pois, embora ela tenha vindo exatamente em minha direção, não olhou para cima. Mas quando nos encontramos, ao invés de continuar andando, ela virou-se e andou ao meu lado por alguns metros, ainda mantendo seu rosto para baixo e ocupada com suas flores. Ela falou rapidamente, porém, o tempo todo, em um tom baixo, como se falando consigo mesma, mas claramente endereçando o sentido de suas palavras a mim. Ela parecia ter medo de estar sendo observada por algum inimigo na espreita. “Confie no Carvalho”, disse ela; “Confie no Carvalho, no Olmo e na grande Faia 7. Cuide da Bétula 7, pois apesar de ser honesta, ela é muito nova para não ser instável. Mas evite o Freixo 7 e o Amieiro 7; o Freixo é um ogro – você vai reconhecê-lo por seus dedos grossos; e o Amieiro vai sufocá-lo com seus cabelos entrelaçados se você ficar por perto durante a noite”. Tudo isso foi dito sem pausa nem alteração no tom de voz.  Então ela virou-se subitamente e me deixou, andando com o mesmo ritmo imutável. Eu não pude adivinhar o que ela quis dizer, mas me satisfiz com a ideia de que teria tempo suficiente para entender o que ela quis dizer quando fosse hora de usar seus avisos, e que a situação revelaria sua necessidade.  Conclui, pelas flores que ela carregava, que a floresta não podia ser sempre tão densa quanto parecia no lugar em que eu estava andando agora; e eu estava certo nisso. Pois logo cheguei a uma parte mais aberta, e aos poucos cruzei uma grande clareira gramada na qual havia vários círculos de um verde mais vivo. Mas mesmo aqui eu estava preso com a total quietude. Nenhum pássaro cantava. Nenhum inseto zumbia. Nenhuma criatura viva cruzou meu caminho. Mas apesar disso, de alguma forma todo o ambiente parecia apenas adormecido; e, mesmo dormindo, deixava um tom de expectativa no ar. As árvores pareciam todas ter uma expressão de mistério consciente, como se dissessem a si mesmas, “Nós poderíamos, e se o fizéssemos...”. Todas elas tinham uma aparência cheia de significados.  Então me lembrei de que a noite é o dia das fadas, com a lua sendo seu sol; e pensei: tudo dorme e sonha agora; quando a noite chegar, será diferente. Ao mesmo tempo eu, sendo um homem e um filho do dia, senti certa ansiedade perante o que eu deveria fazer entre os elfos e outros filhos da noite que acordam quando os mortais dormem, e encontram sua vida cotidiana naquelas horas assombrosas que passam sem ruídos por sobre as formas imóveis de homens, mulheres e crianças, esparramados e separados embaixo das pesadas ondas da noite, que flutuam, se espalhando, os nocauteiam e os mantém submersos e inanimados, até que a maré baixa chega e as ondas se esvaem de volta ao oceano de escuridão. Mas enchi-me de coragem e continuei. Logo, porém, fiquei ansioso novamente, mas por outro motivo. Eu não tinha comido nada naquele dia, e pela última hora tinha sentido fome. Então fiquei com medo de que neste lugar estranho eu não fosse achar nada para suprir minhas necessidades humanas; mas mais uma vez confortei-me com esperança e segui em frente. Antes do meio dia, fantasiei ter visto uma esguia fumaça azul subindo pelos troncos das árvores maiores na minha frente; e logo cheguei a uma área mais aberta, na qual ficava uma pequena cabana, construída de tal forma que os troncos de quatro grandes árvores formavam suas extremidades, enquanto que seus galhos se encontravam e enroscavam acima de seu telhado, amontoando uma grande nuvem de folhas por ali, para cima em direção ao céu. Perguntei-me se haveria um humano vivendo nesta região; e ainda assim não parecia inteiramente humano, embora fosse o suficiente para encorajar-me a esperar encontrar algum tipo de comida. Sem ver nenhuma porta, dei a volta até o outro lado e lá encontrei uma, escancarada. Uma mulher estava sentada ao lado, preparando alguns vegetais para o jantar. Isso era simples e reconfortante. Conforme me aproximei ela olhou para cima e, ao ver-me, não mostrou surpresa, mas baixou sua cabeça novamente para seu trabalho, e disse em uma voz baixa: “Você viu minha filha?” “Acredito que sim”, disse eu. “Você pode me dar algo para comer, pois sinto muita fome?” “Com prazer”, ela respondeu no mesmo tom; “mas não diga mais nada até entrar na casa, pois o Freixo está nos observando.” Tendo dito isso, ela levantou-se e guiou o caminho para dentro da cabana; cuja qual, agora eu via, fora construída com os troncos de pequenas árvores arranjadas próximas umas às outras e era mobiliada com cadeiras e mesas rústicas, das quais nem a casca havia sido tirada. Assim que ela tinha fechado a porta e acomodado uma cadeira: “Você tem sangue de fada em você”, disse ela, olhando duramente para mim. “Como você sabe disso?” “Você não poderia ter adentrado tão profundamente esta floresta se não fosse por isso; e estou tentando encontrar algum traço disso em sua fisionomia. Acredito que estou vendo.” “O que você vê?” “Ah, deixe para lá. Eu posso estar errada quanto a isso.” “Mas então como você veio morar por aqui?” “Porque eu também tenho sangue de fada em mim.” Aqui eu, na minha vez, olhei duramente para ela, e achei que pudesse perceber, não obstante a aspereza de seus traços, e especialmente a densidade de suas sobrancelhas, algo incomum – eu mal poderia chamar isso de graça e, ainda assim, era uma expressão que contrastava estranhamente com as formas das feições dela. Notei também que suas mãos eram formadas delicadamente, apesar de marrons por causa de trabalho e exposição. “Eu ficaria doente”, ela continuou, “se eu não vivesse nas fronteiras da terra das fadas e de vez em quando comesse da comida deles. E eu vejo em seus olhos que você também não está completamente livre desta necessidade; ainda que, por causa de sua educação e da sua atividade mental, você tenha sentido menos do que eu. Você também pode ser removido da raça das fadas no futuro”. Lembrei-me do que a mulher havia dito sobre minhas avós. Aqui ela colocou um pouco de pão e leite na minha frente, com um gentil pedido de desculpas por conta da simplicidade da refeição, com o qual, no entanto, eu não tinha humor para discutir. Pensei que agora fosse a hora de conseguir algumas explicações para as palavras estranhas que tanto ela quanto a filha haviam falado. “O que você quis dizer quando falou sobre o Freixo?” Ela se levantou e olhou para fora da pequena janela. Meus olhos seguiram-na; mas como a janela era muito pequena para permitir que qualquer coisa fosse vista de onde eu estava sentado, levantei-me e olhei por cima do ombro dela. Tive tempo apenas de ver, através do espaço aberto, na beira da floresta mais densa, um único e grande Freixo, cuja folhagem mostrava-se azulada, no meio do verde genuíno das outras árvores ao seu redor, até que ela me empurrou para trás com uma expressão de impaciência e terror, e então quase tampou toda a luz proveniente da janela ao colocar um livro grande e velho lá. “De maneira geral”, disse ela recobrando sua compostura, “não há perigo durante o dia, pois é quando ele está dormindo profundamente. Mas há algo estranho acontecendo na floresta. Deve haver algo grave entre as fadas hoje, pois todas as árvores estão inquietas; e apesar de não poderem acordar, elas veem e ouvem durante seu sono”. “Mas qual perigo deve ser temido dele?” Ao invés de responder a pergunta, ela foi novamente até a janela e olhou para fora, dizendo que temia que as fadas fossem interrompidas por um tempo desagradável, pois uma tempestade estava se formando no Oeste. “E quanto mais cedo escurecer, mais cedo o Freixo acordará”, adicionou ela. Perguntei a ela como ela sabia que havia uma inquietação incomum na floresta. Ela respondeu: “Além da aparência das árvores, o cachorro ali está infeliz. E os olhos e orelhas do coelho branco estão mais vermelhos do que o normal, ele salta por ai como se estivesse esperando alguma diversão. Se a gata estivesse em casa, ela estaria com as costas arqueadas, pois as fadas jovens tiram faíscas de seu rabo com espinhos de amora e ela sabe quando elas estão vindo. E eu também, de outra maneira.” Neste instante, uma gata cinza entrou desesperada como um demônio e então sumiu em um buraco na parede. “Ali, eu te disse!”, falou a mulher. “Mas o que tem o Freixo?”, disse eu, voltando mais uma vez ao assunto. Aqui, porém, a...



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