E-Book, Portuguese, 537 Seiten
Saul O AFOGAMENTO
1. Auflage 2026
ISBN: 978-1-998357-56-7
Verlag: Tektime
Format: EPUB
Kopierschutz: 0 - No protection
E-Book, Portuguese, 537 Seiten
ISBN: 978-1-998357-56-7
Verlag: Tektime
Format: EPUB
Kopierschutz: 0 - No protection
Algo os está matando. E é só o começo. Essa pacata cidadezinha do interior nunca foi conhecida por muita coisa - até que os corpos começaram a boiar. Bem-vindo a Shadow Bay! Uma cidade onde o afogamento não precisa de água. O Afogamento é um vislumbre insano sobre o lugar ao longo de vinte e quatro horas... quando o Inferno veio de visita.
Darius Shaw, um guarda de segurança do turno da noite, depara-se com dois cadáveres boiando na piscina do centro recreativo local. Mas quando ele liga para a emergência, a atendente já está sobrecarregada - há vítimas de afogamento aparecendo por toda a cidade. Em poucas horas, mais de uma dúzia de pessoas estão mortas. Retiradas de piscinas. Arrastadas de banheiras. Resgatadas do lago. Todas apresentam os mesmos sinais de algo violento... algo sobrenatural: marcas de mordidas, hematomas e traumas que vão muito além de um simples afogamento.
Enquanto o pânico toma conta do lugar, Darius descobre um diário deixado por uma das vítimas - repleto de detalhes perturbadores que conectam as mortes recentes a um caso arquivado de dez anos atrás. Então, as pessoas começam a se entregar à água por conta própria. Em uma jogada desesperada, o chefe de polícia aciona o FBI, que imediatamente isola Shadow Bay. Ninguém entra. Ninguém sai. E mesmo assim, os corpos continuam aparecendo.
Com o tempo se esgotando e as respostas escasseando, Darius precisa desvendar os segredos ocultos sob a superfície antes que a cidade inteira seja arrastada para o abismo.
Bem-vindo a Shadow Bay! Uma cidade onde o afogamento não precisa de água. O Afogamento é um vislumbre insano sobre o lugar ao longo de vinte e quatro horas... quando o Inferno veio de visita.
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Capítulo 1
DARIUS SHAW VIU AS MANCHETES E desejou mais do que nunca ser policial.
Alguém estava matando essas mulheres — até agora, duas mulheres neste ano. A reportagem ainda não havia informado a causa da morte, mas Darius já estava tirando as suas próprias conclusões. Provavelmente foi morte por estrangulamento, como no caso de Angela Booth, que foi assassinada há alguns meses. Encontraram o corpo dela num matagal ao lado do Lago Charming, no lado leste da Baía de Shadow. Na margem oeste, o Lago Perch agora já tinha o segundo corpo encontrado em seis meses. E, por mais clichê que pareça, foi um corredor que encontrou o segundo corpo.
Darius estacionou em seu lugar de costume ao lado do caminhão do zelador, na lateral do prédio do Centro Recreativo Shadow Bay. Do bolso do peito do colete, ele se atrapalhou com o celular tijolão, deixando-o cair no console onde bateu no copo de café, respingando um pouco do líquido.
— Merda! — Destacando um guardanapo do Finn’s Diner do porta-luvas do Prius, limpou o café. Depois se inclinou o suficiente para recuperar o tijolão de volta do espaço para os pés do lado do passageiro.
Ele digitou o código de acesso ao centro recreativo apertou o botão para iniciar o patrulhamento e o celular desligou sozinho.
— Cacete!
O celular reiniciou aleatoriamente durante a maior parte da noite, forçando-o a esperar até cinco minutos para recuperar o acesso ao TrackTik, o sistema de que precisava para desempenhar o seu trabalho como segurança.
O trabalho era péssimo às vezes, mas qual trabalho não o era? E ele precisava desse emprego se quisesse se tornar um policial um dia.
A tela do celular reacendeu. Ele olhou para o relógio no painel, estava quase na hora. Eles tinham duas patrulhas móveis em Shadow Bay trabalhando a noite toda e uma unidade móvel durante todo o dia. Darius era a patrulha oito, ou como o despacho o chamava, M8, que no rádio soava como `mate` — o jeito gringo de chamar um parceiro, e que virou o apelido da sua ronda. M8 também era a ronda que levava ao cargo de supervisor, algo que Darius queria adicionar ao seu currículo. Mas como o departamento de Vigilância Patrimonial tinha apenas quatro funcionários locais, ele duvidava que fosse possível ser promovido. Este escritório era apenas uma pequena filial cuja sede corporativa ficava em Nova York, assim como a central de operações e o seu chefe. Ser promovido a supervisor significava que ele teria que se mudar, e Darius não estava interessado em sair de Shadow Bay, pois queria assumir o cargo de chefe de polícia algum dia.
Ele fez o para iniciar a ronda no complexo recreativo e ativou o botão . Então, ao redor do prédio surgiram pequenos símbolos redondos - às vezes chamados de - simbolizando as portas de acesso ao Clube Shadow Bay. Ele precisava clicar em cada um deles usando o “tijolão” para comprovar sua presença, o que gerava um relatório da ronda para o cliente, neste caso, a cidade de Shadow Bay.
Assim que saiu do veículo, trancou as portas e entrou no prédio. O zelador-chefe, Tim Skylar, estava na copa orientando o seu único membro da equipe sobre o plantão daquela noite.
— E aí, pessoal?! — disse Darius ao passar pela porta aberta.
Um par de ecoou pela sala enquanto Darius se dirigia aos vestiários próximos à área da piscina. Já fazia seis meses desde que a SS Security assumiu o contrato do centro comunitário. Algumas pessoas sofreram overdose nos vestiários, o que foi suficiente para que a prefeitura recorresse à segurança privada local — ou agentes de segurança, como a sede os chamava — para esvaziar o prédio após o horário de fechamento, de modo que a equipe de limpeza não fosse exposta a qualquer tipo de perigo.
— M7 para M8 — chiou o rádio.
Darius entrou no vestiário masculino que levava à piscina, tirando o rádio do bolso ao mesmo tempo.
— M8, pode falar.
— O centro recreativo está liberado?
— Negativo. Acabei de começar os procedimentos de fechamento.
— QSL. — Café à uma? — No Finn’s de novo?
— Positivo. — Até, desligo.
— QSL.
Ele guardou o celular no bolso do colete e foi dar uma olhada nos chuveiros. Depois de trancar a porta, ele foi até a sala de ginástica, deu uma olhada na área da piscina e, por fim, dirigiu-se ao vestiário feminino. O recinto era fechado à noite. Todos foram avisados para sair até às 22h.
Ele bateu na porta do vestiário feminino e, em seguida, abriu-a um pouco.
— Segurança! — gritou com a porta entreaberta, — Tem alguém aí?
Como não obteve resposta, ele entrou e vasculhou o local para se certificar de que não havia ninguém desmaiado, a espumar pela boca. Ele balançou a cabeça ao pensar que a crise dos opiáceos havia chegado a Shadow Bay. Como isso foi acontecer? Little Shadow Bay era uma cidade turística, um lugarzinho para ir relaxar, não para ficar chapado ou bêbado.
No entanto, as pessoas continuavam vindo da cidade para se drogar.
Passados alguns instantes, ele saiu da sala, trancou a porta e dirigiu-se à entrada principal para verificar se as portas estavam bem fechadas. Então, ele parou na cantina.
— Ei, Sky — ele murmurou, — Cadê o Donovan?
Tim ergueu os olhos do laptop. — Mandei ele ir buscar um café antes de começarmos o turno.
— Noite tranquila pela frente? — perguntou Darius ao entrando e sentando-se à frente de Sky.
O nome dele era Tim Skylar, mas todos o chamavam apenas de Sky.
— É, é segunda-feira. Muitos dos campistas e turistas do fim de semana já partiram. Às segundas-feiras já estão bem melhores. E como a maior parte da cidade está na feira do condado, o movimento aqui está bem morto.
— No que você tá trabalhando? — Darius apontou para o computador.
— Só relendo algo que escrevi na semana passada.
Darius recostou-se, e a cadeira rangeu sob seus noventa quilos. — Um dia desses você vai ter que me deixar ler algo seu.
Sky sorriu. — Ah, com certeza.
—Você tem conversado com seu irmão?
O sorriso foi se esvaindo e, por fim, desapareceu. — Não, ele é um idiota.
Darius sentou-se e apoiou os braços na mesa. — Que tipo de idiota?
Sky franziu a testa e, em seguida, fechou o laptop. — Como assim, que tipo de idiota? Ele é apenas um idiota.
— O quê, porque ele bate na namorada?
— O que você sabe sobre isso? — indagou Sky.
— Tipo, todo mundo sabe, cara; Qual é? Todo mundo vê as marcas, você sabe bem o que a Lisa passa na mão dele — Darius deu de ombros. — Não sei o que ela vê nele. E ainda por cima ela tem um filho. Um garoto que se chama.
— Michael.
— Certo, Michael. Vou te dizer uma coisa. O John vai começar a bater no Michael, os professores vão perceber e ele vai acabar preso. O delegado já está de olho nele para dar uma canetada assim que a Lisa decidir fazer uma queixa.
— É, mas ai que tá! Lisa nunca vai prestar uma queixa.
Darius observou o rosto de Sky por um momento, percebendo a preocupação que marcava sua testa.
— Desculpa, cara, acho que deveria ter sido mais discreto ao falar do teu irmão. Tipo, essas coisas de família. Não são da minha conta.
— Tá de boa. Mas, então cara, eu não dormi bem hoje e ainda por cima meu chefe disse que quer vir de Albany na próxima semana para conhecer o novato, o Donovan.
— Conhecer ele? Qual o motivo?
— Pra ver se precisamos mesmo de duas pessoas a noite toda.
— Com certeza precisamos. Tipo, é sério mesmo que eles querem que você lave todos os pisos e limpe a área da piscina também?
— É que já fiz isso antes. Mas isso foi no inverno, quando não estava tão cheio.
— Tem algum emprego nesta cidade que valha a pena? — O tom de voz de Darius refletiu o desgosto que sentia. Shadow Bay não era o lugar onde ele imaginara passar o resto da vida, mas, por alguma razão, não conseguia ir embora. Talvez fosse o cargo de delegado de polícia que ele tanto queria.
Sky balançou a cabeça. — Na verdade, não.
— Encontraram outro corpo — disse Darius depois de um minuto.
— Fiquei sabendo.
— Isso é assustador. — Eles se entreolharam.
— Acha que é alguém daqui? — indagou Sky.
Darius encolheu os ombros. — Pode ser. Muito provavelmente. Quer dizer, um cara vai vir até aqui de carro, matar uma garota, se livrar do corpo dela e depois voltar para onde quer que seja que ele more? Isso é um grande movimento. Alguém poderia dizer que é um comprometimento .
— Isso me deixa meio paranoico.
— Os anormais assustam ? — indagou Darius fingindo estar ofendido. — Porra, cara, ando por aí sozinho no escuro a noite toda.
— Não importa quem seja, não está matando nenhum cara. Acho que você está a salvo.
— Não, se eu encontrar um cadáver, de jeito nenhum. Eu teria que conviver com isso pelo resto da vida.
Sky ficou tenso. — Você não disse que queria ser policial?
— Sim, policial, não um legista.
— Mas os policiais lidam com cadáveres o tempo todo.
— A Homicídios sim.
— Em cidades pequenas como esta, não. O delegado Martin cuida de tudo.
— Tá vendo? Isso só prova o meu ponto. — Não tem nenhum emprego em Shadow Bay que não seja uma droga — ele olhou...




