Stevens | Mudança | E-Book | www.sack.de
E-Book

E-Book, Portuguese, 498 Seiten

Stevens Mudança


1. Auflage 2026
ISBN: 978-88-354-8564-3
Verlag: Tektime
Format: EPUB
Kopierschutz: 0 - No protection

E-Book, Portuguese, 498 Seiten

ISBN: 978-88-354-8564-3
Verlag: Tektime
Format: EPUB
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Nickie Daniels sempre soube que foi abandonada quando criança e em adotada. O que ela não sabia é que ela era uma metamorfa. Quando uma cobra a arranca da vida que conhecia e a força a confrontar um mundo que não sabia que existia, Nickie deve se virar para entender. Agora seu melhor amigo Brandon insiste que ela é sua companheira. Mas não é ele quem a atrai. O homem que ela deseja é Devon. Ele deveria ser capaz de mutar, mas por algum motivo não consegue. Ele se sente deslocado há muitos anos. Enquanto Nickie tenta se esquivar de perigos e problemas em sua nova vida, poderá escolher entre o homem que a reivindica e o que ela não resiste?

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Capítulo 1


ERA COMEÇO DE junho, e eu tinha grandes planos para o fim de semana. Ia caminhar por uma trilha nova com Brandon, meu melhor amigo. Éramos amigos desde o jardim de infância e eu pensava nele quase como um dos meus irmãos, só que ele não me atormentava como eles.

Era sexta-feira, e o dia amanhecera lindo e claro. Era uma excursão de um dia inteiro, e já tínhamos avisado nossas famílias para onde iríamos. Até embrulhei meu almoço na noite anterior, então tinha uma coisa a menos para fazer antes de sairmos naquela manhã.

Pouco depois das seis, eu já estava acordada havia quase uma hora e estava quase pronta. Escovei o cabelo e fiz um rabo de cavalo. Prendi-o com um elástico, olhei pela janela e vi um carro familiar estacionar em uma vaga no estacionamento abaixo. Terminei de prender o cabelo observando Brandon sair do carro e contornar o prédio. Eu ainda arrumava a mochila quando bateram.

— Está aberto! — Continuei arrumando a mochila.

— Você sempre deixa a porta aberta às seis da manhã e grita pra qualquer um entrar? E por que a porta está aberta? — Brandon exclamou entrando.

— Bem quem estou esperando, — disse, fechando minha bolsa antes de olhar para cima.

— Tá, você tava me esperando, e daí? Ainda poderia ter sido qualquer um na porta. — Ele ainda queria discutir.

— Poderia, exceto que vi você estacionando enquanto terminava meu cabelo. Destranquei a porta há alguns minutos, pouco antes de pegar meu almoço. Sabia que era você, Brand.

— Tá certo. Só tô preocupado com você, Chica — seu tom agora muito mais calmo, as mãos erguidas em sua frente se rendendo.

— Eu sei. E sei que você só pega no meu pé porque se importa. Senão você tava ferrado agora.

— Nossa, Nickie, Não fica guardando tudo assim, você vai se machucar. Uma hora você explode desse jeito. Aí o que acontece? — ele olhou para mim, totalmente inexpressivo.

Não me preocupei em responder além de mostrar o dedo do meio quando me virei para ir ao banheiro mais uma vez antes de sairmos. Quando voltei, perguntei a ele: — Você pegou tudo o que precisa?

— Tudo, só faltava você.

— Então vamos, estamos perdendo tempo, — eu disse casualmente enquanto pegava minha bolsa e a pendurava em um ombro. Saí primeiro e me virei para esperar que ele saísse do apartamento antes de trancar a porta. Brandon ficou confuso, como se ele não entendesse muito bem, mas eu não expliquei a referência do filme e deixei pra lá.

A viagem até a área de estacionamento onde planejávamos começar nossa caminhada levou cerca de quarenta e cinco minutos, já eram quase sete horas e o dia estava começando a aquecer. Ainda estava relativamente frio, mas já dava para sentir o calor que o sol e o chão do deserto trariam. Colocamos nossas mochilas e guardei meu Dispositivo de Comunicação Pessoal, mais conhecido como PCD, no bolso da minha calça jeans, onde eu poderia alcançá-lo facilmente, e saímos.

Começamos indo para o oeste, longe dos carros, o terreno era irregular e cheio de pedras, mas estava acostumada e me movi sobre os detritos e pedrinhas com facilidade. Seguimos o que parecia ser uma trilha feita por animais. Um caminho feito pela passagem frequente de animais como cervos e coelhos, era estreito e sinuoso, mas tinha poucos galhos invadindo a trilha, então era uma caminhada fácil. Enquanto caminhávamos sobre o chão ainda plano, cutuquei Brandon.

— O que tem feito?

— Nada novo, trabalho, durmo, como. E você?

— Mais ou menos o mesmo, adicione passar tempo com a família e você tem a minha vida.

— Que bom que saímos hoje, está um dia lindo. Eu precisava escapar da vida por um tempo e esta é uma ótima maneira de fazer isso.

— Concordo — continuei ao longo da trilha que estava começando a virar e subir a colina. — Cuidado por aqui, está muito solto — o avisei enquanto colocava meus pés com cuidado para não perder o equilíbrio enquanto os pedaços de entulho que haviam saído da montanha acima de nós rolavam e se moviam sob nossos pés.

Vários minutos depois, chegamos a um local onde a água que descia a colina havia lavado o solo mais macio, deixando uma queda acentuada que era mais alta do que eu. Parei e esperei que Brandon desse os últimos passos ao meu lado. Quando ele chegou ao meu lado, pude ver que o obstáculo não era tão alto quanto ele, mas isso não significava que qualquer um de nós pudesse superar sozinho.

— Vamos ter que fazer juntos, — falei.

— Sim, — respondeu ele. — Como você quer fazer, você primeiro ou eu?

— Você vai ter que ir primeiro, vou te impulsionar de baixo para cima, mas não tenho força para te puxar de cima.

Brandon concordou. — Preparada?

— Vai subir com a mochila ou devemos tirá-las e entregá-las separadamente?

— Vamos tentar com elas primeiro, sempre podemos tirá-las e tentar novamente se necessário.

— Tá, — falei, movendo-me para um lado de onde queríamos subir. Virei o rosto e me ajoelhei para que a perna da frente fosse colocada para Brandon pisar.

— Assim funciona para você? — perguntei.

— Acho que sim, vamos tentar. — Ele estendeu a mão e apoiou as mãos no topo do pequeno penhasco antes de colocar cuidadosamente um pé de bota em cima do meu joelho.

— Pronta? — Ele checou comigo. Ao meu aceno de cabeça, ele rapidamente se apoiou no meu joelho e usou os braços para puxar o corpo para a borda, como se levantasse de uma piscina. Segundos depois, ele estava parado no topo do pequeno penhasco olhando para mim.

— Como vamos fazer? — Perguntei, esticando o pescoço para olhar para ele. — Não há nenhum lugar para pisar no meu caminho para cima.

— Apenas fique bem ali, — ele apontou para onde havia subido o penhasco, — e segure os dois braços acima da cabeça. Eu farei todo o resto!

— Tem certeza que consegue me levantar? — Perguntei, cética.

— Tenho certeza, — ele falou confiante, — mas não saberemos até tentarmos, não é? — Ele ficou bem na beira que acabara de escalar.

Olhei para ele e ele se abaixou até quase se sentar nos calcanhares e abaixou os braços para pegar os meus. Eu sabia que não tinha como levantá-lo assim. Estendi os dois braços sobre a cabeça e passei por suas mãos para segurar seus pulsos enquanto ele envolvia seus longos dedos firmemente em volta dos meus pulsos.

— Você está pronta? — ele perguntou, olhando para o meu rosto em busca de sinais de medo. Assenti e ele se levantou, usando as pernas em vez das costas para me puxar pela rocha. Ele manteve os olhos no meu rosto, acho que estava procurando sinais de pânico no caso de eu começar a lutar, mas eu confiava nele. Me segurei para não escalar o penhasco, sabendo que isso só afastaria meu corpo e possivelmente nos desequilibraria. Em vez disso, decidi dobrar os joelhos e usá-los para rastejar para a borda assim que estivesse alto o suficiente. Ele recuou um pouco, mantendo o aperto nos meus braços enquanto perguntava: — Conseguiu?

— Sim — disse, soltando seus braços enquanto ele soltava os meus e ficava de pé. — Não sabia se daria certo, mas ainda bem que funcionou.

— Eu também, — disse ele. — Quer descansar aqui ou continuar até o topo?

— Tô pronta. Você não machucou as costas me levantando, né?

— Não, estou bem, vamos então. — Ele se virou para assumir a liderança por um tempo.

Já era meio da tarde quando aconteceu. Já havíamos parado para almoçar e começamos a voltar, pegando um caminho diferente. Esta trilha não era tão limpa, mas o caminho era mais fácil, o que era bom, pois estava começando a ficar um pouco cansada. Paramos algumas vezes na viagem de volta, mas admito que não estava sendo tão cuidadosa quanto deveria. Andando pensando em outra coisa, nem me lembro mais no quê, mas não era em para onde eu estava indo ou o que via ao meu redor. Tropecei em uma pedra, vacilando por um instante antes de cair de joelhos.

A queda me trouxe de volta a realidade, tirando o fôlego de mim e me deixando momentaneamente atordoada. Ouvi um zumbido, mas não registrei o que era de imediato. Pensei que eram apenas meus ouvidos zumbindo da queda. Ouvi Brandon parar na trilha à minha frente e, sem nem pensar nisso, tentei me levantar. Eu já tinha começado a me mover, tentando me impulsionar com os braços para que eu pudesse me erguer, quando vi.

Quando notei que era uma cobra, já era tarde demais. Ela já estava no meio do bote e não tive tempo de evitar ser mordida. Ela foi mais rápida que eu. Senti as presas perfurarem o tecido do meu jeans e afundarem na carne da minha panturrilha. Uma dor quente atravessou minha perna quando o veneno bombeou para o meu corpo. A cobra rapidamente soltou a mordida e deslizou pela areia, já tendo causado seu dano e, com sorte, diminuído a ameaça tempo suficiente para escapar com segurança.

— Ai, merda, — eu disse, senti medo na hora e não conseguia pensar direito.

Congelei. Se eu entrasse em pânico, tava ferrada.

— Que foi? — Brandon perguntou, recuando para o meu lado para ver o que havia acontecido.

— Cobra. Me picou — disse a ele, falando em suspiros curtos enquanto tentava me acalmar o suficiente para pensar.

— Cascavel?

— Aham.

— Onde?

— Minha perna direita. Na panturrilha. — Eu estava voltando a conseguir pensar novamente.



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