E-Book, Portuguese, 510 Seiten
Vignaroli Ordeira Vila Provinciana
1. Auflage 2025
ISBN: 978-88-354-8397-7
Verlag: Tektime
Format: EPUB
Kopierschutz: 0 - No protection
Os Mistérios Da Vivenda Brandi
E-Book, Portuguese, 510 Seiten
ISBN: 978-88-354-8397-7
Verlag: Tektime
Format: EPUB
Kopierschutz: 0 - No protection
Uma violenta explosão durante a festa de inauguração da vivenda Brandi, uma vivenda setecentista restaurada graças ao contributo em dinheiro de um famoso mister do futebol internacional, provoca o desaparecimento físico de quatro pessoas e o grave ferimento de uma quinta. A Caterina Ruggeri, chefe da Secção Homicídios local, presente na festa juntamente com o seu parceiro e saída ilesa do atentado, tomará desde logo na mão as rédeas das indagações, porém, que vêm despistadas por obscuros personagens ligados por um lado às maçonarias locais e do outro aos Serviços Secretos. A nossa detetive terá que superar muitos obstáculos para chegar à verdade, que enraíza-se na noite dos tempos.
A Comissaria de Polícia, a Caterina Ruggeri é uma mulher engraçada, brilhante e corajosa. É mãe de uma esplendida criança de nome Aurora e adora passar as noites na companhia do Stefano, o seu presente companheiro. Mas por baixo desta fachada como uma mulher qualquer esconde-se uma heroína arrojada e aventureira, sempre pronta para carregar-se de novas indagações. Como aquela que a vê envolvida num ataque dinamiteiro durante a festa de inauguração da Vivenda Brandi, uma residência setecentista das Marcas adquirida por um famoso Mister de futebol internacional. Parece que o atentado tenha sido magistralmente levado a cabo por um inimigo sem nome e sem rosto. É o início de uma nova aventura, que irá arrastar a irrefreável comissaria num enigma sem fim, que enraíza-se até às antigas Lojas Maçónicas. Não irão faltar as despistagens devido aos indivíduos duvidosos ligados aos Serviços Secretos governamentais.
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- PRÓLOGO
Agosto de 2009
CATERINA…
A ponte da Festa da Assunção passara veloz e a manhã de 17 encontrava-me de novo no voo Ancona – Génova regressando para a minha sede de trabalho, uma vez ainda mergulhada nos meus pensamentos. Fora lindo passar dois dias inteiros com o Stefano, fazendo planos para o futuro, falando de nós e do filho que teríamos e trocarmo-nos mimos recíprocos. O meu companheiro, naquele breve lapso de tempo que eu passara em Ligúria, mudara de estilo de vida, e não falo só da paixão pela música. Abandonara a sua sala na parte interna da clinica, a fim de transferir-se para uma granja a poucos quilómetros dali. Era um lugar estupendo, mergulhado no verde das colinas das Marcas. A casa era acolhedora e decorada com gosto, em perfeito estilo rustico. Um furgãozito de sala, dominava na sala de estar, aqueceria as frias noites invernais. Através de um amplo pátio, ideal para passar ao ar livre dias e noites estivais, chegava-se às estrebarias, onde já se davam mostra de si dois cavalos e um Pónei. Um pouco mais para lá havia dois box para os cães, dois dos quais já ocupados por um Cão de fila e por um Setter Gordon. A granja confinava com um pequeno bosque no lado posterior e com uns campos cultivados nos outros lados.
«É maravilhoso», disse ao Stefano, no momento em que estávamos no pátio a desfrutar as cores de um esplendido pôr-do-sol. «Pena que não poderei desfrutar por muito tempo este lugar junto da tua pessoa!»
«Oh, não foi dita a última palavra. Graças à tua gravidez, poderias pedir uma aproximação. E seja como for, a partir do momento em que estarás de baixa na maternidade, virás aqui e não irei permitir que te distancie de modo nenhum até que o nosso filho não estará bem crescido. Os dois cavalos os montaremos nós, mas o Pónei está reservado ao pequerrucho.»
«Ou pequerrucha! Por que falar só ao masculino?»
Sorrindo e gracejando, o Stefano pegou-me pela mão, guiou-me sem freios rumo à estrebaria, soltou os cavalos, sem sequer selá-los, e convidou-me para saltar para cima da égua, enquanto ele subia para a garupa do macho. Os cavalos eram dóceis e era fácil cavalgá-los mesmo sem a sela e arreios. Tudo o que me recordava os tempos quando, desde menininha, rivalizava incessantemente com ele para conquistar o melhor dos cavalos que havia na cavalariça por nós frequentada, esporeando o malfadado animal para atalhos e ruas terraplenadas agarrada à sua crina. Bons tempos! Claro, ter-me-ia agradado muito viver a minha vida ali com o Stefano, mas como poderia fazer com o trabalho? Já que o mesmo agradava-me imensamente e não o mudaria por nada deste mundo.
Na segunda-feira de manhã o Stefano tinha-me acompanhado ao aeroporto, tendo ficado perto da minha pessoa até à chamada para o embarque. O momento de despedir-se foi realmente duro, mas o dever chamava-me e subi um pouco contra a vontade, no avião. Agora que estava próximo da aterragem, as emoções estavam a deixar espaço à vontade de voltar ao trabalho. Pensando bem, em Impéria sentia-me bem e com os colegas havia um enormíssimo entendimento. Dera-me conta que a Unidade policial era um pouco como uma grande família e eu sentia-me enfim um bom chefe, aceite por todos não porque impunha a minha vontade, mas porque tinha a capacidade de coordenar aquele estupendo grupo de polícias cheios de boa vontade, demonstrando de estar a fazer a minha parte quando havia necessidade. A verdade era que, à parte a indagação sobre os delitos de Triora, os lugares eram até ordeiros. Claro, episódios de microcriminalidade não faltavam e, considerando o facto de que as unidades Policiais estão cronicamente abaixo do quadro pessoal, todos nós eramos constrangidos a fazer turnos de trabalho prolongados para cobrir o serviço de forma adequada. Fora feliz porque o Inspetor Giampieri, submetido defronte da escolha se podia permanecer na unidade policial ou voltar para trabalhar ao lado do comandante da polícia, tivesse sem dúvida escolhido a primeira alternativa. Já estava muito afeiçoado a ele, era o meu vice, considerava-o o meu alter-ego [o outro eu] e seria difícil para mim ter que abdicar dele, também em consideração do profundo entendimento que se tinha desde logo estabelecido entre nós.
Na sala das chegadas do aeroporto de Génova desta vez não encontrei nem ele, nem outros à minha espera. Retirei a minha bagagem e alcancei a Impéria de Táxi.
Quando pus o pé dentro da Unidade policial, tomei consciência de que havia um insólito tumulto. Durante a noite, no porto tinha ocorrido uma rixa entre imigrantes estrangeiros e os colegas tinham tomado medidas prendendo algumas pessoas de cor, que estavam a provocar uma barulheira insuportável. Pedi explicações ao D’Aloia.
«Estavam praticamente todos bêbados, Doutora. Começaram a brigar, creio por motivos ligados à sua religião e, quando a discussão degenerou, atiraram-se garrafas vazias de cerveja. Alguém as apanhou na cabeça e foi medicado no Pronto-socorro. Agora procedo com a exaração dos autos, controlo as suas permissões de estadia e mando-os fora daqui o mais breve possível.»
«Boa sorte, D’Aloia! Muito embora eu não a vejo uma incumbência simples.»
Às seis da tarde, quando saí do meu gabinete de trabalho, o Walter estava efetivamente a digladiar-se com alguns deles que, não obstante a permissão de estadia não em dia, afirmavam de estar a trabalhar, clandestinamente para ser claro, para algumas empresas de construção.
«Doutora, não sei mais como vou sair dessa. Devia fazer para eles uma guia de marcha, mas dá-me tanta pena!»
«Uma solução existiria: que denunciem quem os faz trabalhar clandestinamente e nós iremos disponibilizar prontamente uma permissão de estadia provisória por um máximo de três meses.» Sorri para o D’Aloia, porque sabia muito bem que nenhum deles teria a coragem de denunciar, se calhar colocando em dificuldades os seus amigos ou parentes que trabalhavam para as mesmas empresas, e saí da Unidade policial para me dirigir rumo à casa.
Estava para mandar parar um Táxi, quando às minhas costas apareceu o Mauro.
«Tenho o meu carro e para hoje terminei. Eu vou para Ventimiglia ao encontro da Anna, creio que um desvio para te acompanhar à casa não far-me-á chegar mais tarde do que o previsto.»
Aceitei com agrado a boleia e, no decurso de um quarto de hora, cheguei finalmente à casa. A Clara estava no jardim a brincar com o Furia e notei que à saudação que dignou ao meu colega transparecia muita cumplicidade no que lhe toca. Na altura não tomei muita atenção à coisa, no essencial tínhamos passado muito tempo todos juntos naquele último período. E depois tinha outras coisas pela cabeça.
Uma das prioridades que tive que afrontar nos dias subsequentes foi aquela de dirigir-me a um ginecologista que me seguisse durante a gravidez. A Laura aconselhou-me uma jovem doutora que trabalhava no departamento de Obstétrica do Hospital da Impéria.
«A doutora Valeri está sempre disponível e muito recetivo. Aqui em Impéria o departamento está numa posição muito avançada e prefere-se deixar-se seguir na estrutura pública mais que em consultórios privados externos. Verás que sentir-te-ás muito bem.»
O conselho da Laura foi ótimo e, depois de alguns dias, saí do consultório da ginecologista pegando na mão as primeiras imagens ecográficas da criatura que trazia no ventre e a lista de uma série infinita de exames do laboratório por efetuar. Ainda não havia certezas sobre o sexo do feto, mas a Doutora comprometera-se.
«Temos oitenta por cento de que seja uma menina, mas não há certezas ainda.»
A sucessiva ecografia, pouco mais ou menos após um mês, viria a confirmar que era uma menina e, no meu coração, decidi que chamar-se-ia Aurora.
O meu estado de gravidez não me causava nenhum distúrbio e conseguia levar avante todas as minhas incumbências, quer laborais, quer extras. Seguindo enfim rumo ao outono, para manter-me em forma, tinha começado a frequentar um ginásio, onde o instrutor propusera-me um plano personalizado, adequado também ao facto de que estava grávida.
A meio de Outubro, em tempo recorde, fora completado a restauração da casa Della Rosa, que estava pronta para acolher a Clara como Diretora da Fondazione Studi Esoterici [Fundação dos Estudos Esotéricos] de Triora. Suportara a Clara durante aqueles meses e a ajudara/auxiliara no desenvolvimento das suas ideias. A rapariga era realmente fenomenal e tinha uma inteligência e uma sabedoria notável. Creio que acatasse os meus conselhos mais por cortesia não porque tivesse necessidade. Já conhecia bem os livros e os manuscritos presentes no interior da habitação da bruxa, por tê-los a seu tempo catalogados e arrumados, se bem que muito material perdera-se pois no incêndio da residência. O salão do pentáculo ter-se-ia tornado um centro de estudos aberto a todos aqueles que tivessem desejado enriquecer a sua bagagem cultural em matéria da magia e esoterismo, sob a orientação vigilante da diretora e bibliotecária Clara Giauni. O Mauro estava cada vez mais presente para ajudar a nossa amiga, principalmente nos trabalhos pesados, tipo arrumação das prateleiras, disposição de objetos de adorno e assim por diante. A parte mais delicada, aquela de ajustar as passagens secretas e as galerias subterrâneas para uma visita turística guiada, foi dirigida na prática por Mauro, que mostrava-se como que um verdadeiro especialista na direção-geral das Belas-Artes...




